O Mestre Zé do Pife, natural de São José do Egito (PE), também conhecido como Seu Zé, é tocador e fabricante de pife há 50 anos. É também compositor de versos e aboios de vaqueiros. Quando jovem, trabalhou como lavrador e na construção civil. Radicado em Brasília há mais de 20 anos.

Foi com o talo de uma abóbora, ou jerimum, como é conhecida no nordeste, que Francisco Gonçalo da Silva construiu entre os 7 e 8 anos de idade o primeiro pífano, uma pequena flauta transversal feita, tradicionalmente, de bambu. As habilidades com o instrumento o fazem ser conhecido até hoje, como Zé do Pife, um dos mestres de cultura popular mais respeitados no Distrito Federal. O pernambucano tem uma trajetória marcada por muito trabalho, andanças pelo país e o principal: a paixão por compor, tocar e ensinar a arte do pife.

O Mestre Zé é brasiliense há três décadas e lá, desde então, sobrevive com a venda de pífano, flauta feita de bambu que ele próprio fabrica em Sobradinho, cidade em que mora e de onde se desloca quase que diariamente para o Plano Piloto. Embora o instrumento seja vendido dentro dos ônibus, na Escola de Música e no Ceub, é na Universidade de Brasília que sua clientela é maior. Lá, o pifeiro costuma dar aulas e até oficinas informais a grupos de alunos, atentos ao seu ensinamento, em geral, no Minhocão e em área próxima ao RU, o restaurante universitário, no horário das refeições.

Mestre Zé do Pife e as Juvelinas 1

Na estrada do Mestre, consagrado pelo povo e pelo Prêmio Culturas Populares e Ação Griô Nacional (MinC), já são dois CDs: “Zé do Pife: de avô para neto” (2008) e “De Brasília a São José do Egito” (2010).

Eu sou um pifeiro pernambucano – De São José do Egito – Pense num cabra feio – Mas tudo meu é bonito – Se você me procurar – Moro aqui no Distrito.

E, não por acaso, foi naquela universidade, criada por Darcy Ribeiro, que o mestre, com mais de 65 anos de carreira, conheceu um grupo de jovens, duas alunas de música e as demais matriculadas em outros cursos. A identificação entre eles foi tão imediata, que após vários encontros e ensaios, surgiu a possibilidade de passarem a tocar juntos. E assim, em 2007, o pifeiro com mais de 65 anos de carreira, agregando  jovens musicistas, constituiu Mestre Zé do Pife e As Juvelinas, grupo que desde então tem encantado plateias com apresentações em espaços diversos.

O grupo entende que a cultura nordestina é raiz fundante da identidade brasiliense e brasileira e, por isso, busca sua difusão e atualização através de projetos, apresentações e oficinas, navegando em músicas autorais e de domínio público.

Conhecer essas meninas foi uma benção para mim. Antes eu só ganhava alguma coisa vendendo pife. Depois que começamos a tocar juntos e formamos o grupo, que tem me dado muita alegria. Já fizemos muitos shows, viajamos pelo Nordeste e São Paulo, lançamos um disco e agora vamos lançar outro…

Com a missão de não deixar o pife acabar, Zé do Pife fez escola na cidade. Em aulas e oficinas, ele ensinou muita gente a tocar o instrumento, inclusive As Juvelinas chegou a ter 11 integrantes. Hoje, elas são sete: Kika Brandão (pífano e pandeiro), Maísa Arantes (pífano e rabeca), Naira Carneiro (pífano e sanfona), Andressa Ferreira (caixa tarol), Isa Flor (zabumba), Gotcha Ramil (rabeca) e Luciana Bergamasch (triângulo e prato). Além de tocarem os instrumentos, todas cantam, sob a batuta do Mestre.

Um dos projetos importantes desenvolvido por Mestre Zé do Pife e As Juvelinas foi o de circulação nacional, em 2014, com passagem por Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí e São Paulo, graças ao apoio do FAC-DF. A visita a cada uma das cidades em que estiveram teve como foco principal a promoção de intercâmbio artístico-cultural.

 Na região de São José do Egito (PE), fizemos várias oficinas nas escolas, com a participação de Zeca do Pife, irmão e parceiro de Seu Zé desde a infância. Seu Zeca ficou feliz, pois despertou o interesse de crianças e jovens, que estavam distanciados do pife. 

Referências: 

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