Quando descobrimos as flautas estilo nativa americana e sentimos a vontade de tocá-las, surgem dúvidas sobre qual flauta escolher para encomendar. Este artigo pretende sanar algumas dúvidas a partir da nossa percepção dos critérios mais importantes para escolha além de esclarecermos dúvidas recorrentes relativas às flautas nativas em geral:

Qual flauta nativa é indicada para iniciar?

Quanto às flautas estilo nativa americana, a princípio todas são indicadas para iniciar desde que o seu corpo se adapte bem à flauta. As flautas graves de maior comprimento e distância dos orifícios exigem maior alongamento e mais controle da respiração para soprar e preencher a coluna de ar emitindo o som, somente por este motivo indicamos flautas menores para iniciar. Muitas pessoas simplesmente não conseguem tocar flautas grandes devido a estas questões anatômicas não se adaptando e por fim, acabam abandonando o instrumento, mas com treinamento é possível desenvolver a melhor postura dos braços, mãos e dedos para cada tipo de flauta. O corpo precisa de algum tempo para se adaptar. Se você tem braços curtos, dedos finos e curtos, talvez seja melhor iniciar com flautas pequenas como as flautas nativas River Cane D Alto, C Alto, B, A ou G.

Além das considerações sob o aspecto anatômico, precisamos considerar também que faixa de voz da flauta lhe agrada. Vozes agudas, médias e graves. Todas as flautas estilo nativa americana tem um volume razoável, as flautas grandes (B Baixo, A baixo, G baixo) são naturalmente com volume mais baixo e voz mais grave e encorpada, indicadas para tocar em ambientes com pouco ruído e induzem a estados meditativos de profundo relaxamento, baixando imediatamente as frequências cerebrais.

Já as flautas com voz média possuem um volume excelente e som mais expansivo, indicadas para tocar em ambientes maiores, estas flautas médias como B, A, G#, G, F# e F, também são indicadas para iniciantes, sendo B a menor flauta e F a maior.

No contexto da memória musical coletiva relacionada ao som da flauta nativa, é preciso destacar que a afinação de F# como a voz média mais tocada e consagrada pelo músico nativo Carlos Nakai, tornou-se a tonalidade de flauta nativa padrão, justamente por ser a tonalidade que mais ouvimos. Dentre as vozes agudas, médias e graves, a afinação F# seria a afinação oficial da flauta nativa americana, tanto que a tablatura Nakai usa a armadura de clave para F#. Quanto a

Ainda na faixa de voz média, temos as flautas maiores que são nesta ordem da menor para maior flauta: F, E, D e C. Estas três, mesmo sendo consideradas faixa média, são flautas maiores e com vozes mais robustas e próximas do grave. Não indicadas para iniciar devido a questão anatômica. Quanto à tonalidade, estas flautas são poderosas e atuam energeticamente nas regiões do coração (F), plexo solar (E), (D) e (C).

E por fim, sobre as afinações de flauta nativa, temos as altas vozes, que são nesta ordem da menor para maior: E Alto, D Alto, C Alto. São flautas bem menores, indicadas para tocar ao ar livre, em ambientes de muitos ruídos (cachoeira, praia, etc.), elas são mais fáceis de transportar e por terem um comprimento e distância menor dos furos, indicadas para crianças, adolescentes, iniciação musical, e adultos em geral. Costumo pensar que às vezes os agudos são importantes e tem sua aplicação no alinhamento energético e terapêutico, e podem ser flautas para um primeiro contato, sendo complementares às flautas maiores.

As flautas nativas que produzimos são ordenadas por modelo (série) e cada modelo possui opções de personalização distintas entre afinação, tipo do bocal e totem. Nós prezamos pelas qualidades de acústica e afinação para todos os modelos, do mais simples ao mais elaborado sem distinção. A série River Cane é a mais popular, produzida do E Alto ao C Médio. Nesta série não há opção de escolher bocal, totem ou 6 furos, esta é nossa série mais pura, indicada para o primeiro contato e entrega com menor prazo.

Se você desejar uma flauta mais elaborada, com mais opções de personalização como totem, bocal de madeira, 6 furos e design diferenciado, temos as séries: Beija-flor, Black, Clássica, Natural, Roots, Totem e Tribal. Nestas séries, disponibilizamos afinações de C Alto a C Médio.

Se você está buscando uma flauta de som grave, então precisa conhecer a série Ground. A Série Ground são as flautas estilo nativa americana em afinação Baixo. São flautas grandes que exigem treino de adaptação, por isso não indicamos como primeira flauta.

Se você está buscando uma flauta nativa dupla, nós temos a Série Dupla, neste modelo, a flauta dupla River Cane A e G são de faixa média indicadas para primeiro contato.

Em conclusão, sobre qual flauta nativa é indicada para iniciar, precisamos levar em consideração os fatores e limitações físicas, em seguida verificar qual tonalidade e afinação de flauta você deseja experimentar e por fim, escolher os materiais que definem a forma estética da flauta como totem, bocal, pintura, design.

Qual a diferença de afinação 432, 440 ou 442hz?

Essa é uma dúvida recorrente que iremos abordar de forma resumida e prática para que você possa saber como escolher. A flauta, diferente dos instrumentos de corda, é afinada em sua construção e o seu comprimento, quantidade de furos dispostos em certas distâncias um do outro assim como o diâmetro dos furos irão corresponder a uma escala musical temperada, toda escala inicia a partir de um tom principal que passa a ser a referência para calcular as distâncias das próximas notas que compõem a escala da flauta. Essa nota principal que nós chamamos de nota raiz, é justamente a nota mais grave emitida com todos os furos fechados, logo o que define a nota principal para afinar as outras notas é o comprimento do tubo da câmara de som. Mas como eu vou saber qual é o tom principal e sua afinação? Será necessário usar um instrumento de medição para aferir a frequência do tom e compará-lo com uma frequência de base, esta frequência base foi padronizada com a nota LA.

O tom é um som que se repete na mesma faixa de frequência, é usado HZ como unidade de medida da frequência, que é o mesmo que ciclos por segundo. Um som que se repete na faixa de 440hz ou seja, 440 ciclos/ondas por segundo, foi batizado como sendo a faixa média do tom LA ou A. Para encontrarmos os próximos tons musicais a partir da referência primeira, utilizamos atualmente o fator de 1,0595 de multiplicação para todos os tons que dessa forma compõem a escala temperada completa com 12 notas. Então para encontrar todas as notas precisamos antes encontrar a primeira nota que será a referência em hz, como visto anteriormente foi padronizado que LÁ seria a referência de afinação, acontece que o tom LÁ, assim como, toda os demais tons, têm uma faixa de frequência mais ampla e nossos ouvidos ainda percebem essa extensão dentro da tonalidade de LÁ. Essa faixa de LÁ varia aproximadamente de 416 a 456 hz. Então se nós mudarmos a frequência da referência da base de afinação LÁ, todas as outras notas serão afetadas no cálculo para ficarem com as distâncias proporcionais. A grande maioria dos instrumentos musicais são atualmente afinados a partir da referência de LÁ em 440 hz, por isso, nomeamos como a referência padrão, profissional ou de concerto, para tocar com outros instrumentos ou músicas é mais indicado. Na história da música ocidental temos registros de outras preferências para referenciar a frequência de LÁ como: 421,6 hz, 422,5 hz, 432 hz, 442 hz e 444 hz. Em termos práticos aos ouvidos, se a frequência é mais baixa isso significa que soa aos ouvidos um tom levemente mais grave e sutil. De modo contrário, se temos alguns hertz acima a tendência é o tom ficar um pouco mais agudo e brilhante. Atualmente a frequência de 432 hz tem sido muito utilizada no contexto terapêutico, existem estudos que apontam o 432 hz uma referência natural harmônica com as frequências da natureza e do planeta. Muitas pessoas escolhem esta referência quando a intenção é tocar a flauta para meditação, yoga, terapias e atividades que não dependam de outros instrumentos melódicos e harmônicos simultâneos. Nós sentimos que a referência de afinação é importante para quem precisa adequar o instrumento a fatores externos, mas se a ideia for usar a flauta como instrumento solo, então pode ser uma escolha pessoal de preferência por uma afinação levemente mais baixa (432 hz), padrão (440 hz) ou levemente mais alta (442 hz), pois aos ouvidos é quase imperceptível essa diferença, quando não há outros tons sendo emitidos em outra referência de afinação, até porque a qualidade da música criada com a flauta assim como as sensações e emoções que seu som evocam não se limitam a este aspecto, mas ele deve ser considerado quando adicionarmos outros instrumentos e sons numa composição.

Qual a diferença de flauta nativa com corpo em madeira ou bambu?

Basicamente nossos ouvidos não percebem a diferença. Mesmo que o corpo fosse de metal ou plástico, a característica do timbre dificilmente seria percebida. O que podemos especular é sobre a durabilidade e estabilidade do material para sustentar a afinação.

A qualidade do som numa flauta nativa, está diretamente relacionada à precisão da construção e montagem do ninho (mesa de passagem do ar pela chaminé), do apito, relação do comprimento com o diâmetro interno da câmara de som, tamanho dos furos e outros detalhes construtivos. Sendo na região da chaminé e do apito o local do espírito da flauta. 

Nós buscamos unir o melhor dos materiais na construção da flauta, construímos com madeira o ninho quando necessário e o totem ou bloco que contém chaminé, já o corpo da flauta nós preferimos que seja em bambu por diversos fatores que você pode ver aqui. Com a madeira podemos moldar a espessura e ângulo do apito mesmo quando o corpo do bambu é mais fino, garantindo maior estabilidade mecânica devido às fibras da madeira serem mais densas. O bambu possui todas as qualidades e características necessárias para a criação de flautas, é leve, resistente, oco, redondo, versátil, econômico, sustentável, sendo adotado por todos os povos desde a antiguidade que tinham acesso ao bambu. Mas o bambu possui seus desafios na construção de flautas, pois existem diversas espécies espalhadas pelo mundo e nem sempre um tipo de bambu serve para um tipo de flauta, então para fazer uma flauta dependemos 100% do acesso aos tipos ideais de bambu para cada tipo de flauta e muitas vezes o bambu que temos em mão irá definir que tipo de flauta e processo construtivo será usado além do comprimento para afinação. Cada vara de bambu possui suas características de espessura, diâmetro, envergadura, tornando o processo muito mais artesanal, seletivo, comparando-se ao processo agrícola, de cultivo, coleta, etc., sem contar que muitas vezes não há acesso ao bambu ideal na região. Então torna-se uma arte ainda mais apurada que muito nos agrada, além de cada flauta possuir características anatômicas únicas. Talvez pela falta de acesso ao bambu e, ou pela necessidade de maior controle e precisão no processo construtivo, muitos artesãos constroem atualmente suas flautas em madeira. Pela nossa experiência, a vantagem do corpo de madeira é devido a sua estabilidade mecânica, o que proporciona maior precisão e controle da afinação da flauta, pois as fibras da madeira movimentam-se com menor frequência em relação a temperatura e umidade e por possuírem paredes mais grossas costumam ser mais resistentes a impactos, este argumento faz com que muitas pessoas desconsideram as flautas em bambu imaginando que são frágeis e por isso terá pouca durabilidade. Nós possuímos flautas com mais de 7 anos em bambu em perfeito estado, tudo depende do cuidado e preservação. Consideramos as flautas em bambu instrumentos vivos e portanto é nossa prioridade de escolha, até porque as flautas em madeira exigem muitas intervenções de máquinas e muito desperdício de madeira. Mas não descartamos a possibilidade de construí-las. Quanto a questão da estabilidade da afinação, as fibras do bambu são mais flexíveis ao movimento de contração e expansão ocasionado por temperatura e umidade do que a madeira, por este motivo costumamos aquecer a flauta antes de tocá-la, este aquecimento pode vir do próprio sopro e das mãos e assim logo a flauta ajusta sua afinação. Na índia as flautas de conserto são de bambu, esse caráter peculiar do bambu não desqualifica o instrumento, ao contrário, aumenta as possibilidades de jogo.

Bocal de madeira ou bocal natural de bambu?

A escolha pelo bocal de madeira ou bocal natural de bambu não influencia na qualidade do som porque a qualidade sonora está relacionada com o apito da Flauta e com o bloco ou totem. A câmara de ar, que é onde nós sopramos, serve apenas para conduzir o ar para baixo do bloco ou totem e direcionar esse ar para o apito. O bocal de madeira tem a vantagem de dar um acabamento diferenciado, mais estético e também mais ergonômico porque basta encostar levemente a boca no bocal, sem precisar abrir a boca, só o suficiente para cobrir a pequena área do bocal e soprar. Já a flauta de bambu com o bocal aberto natural não tem a estética do bocal de madeira, mas a qualidade do som é a mesma. A vantagem do bocal aberto é que a gente pode secar com facilidade quando acaba de tocar e a longo prazo isso tem um diferencial. Essa é a grande vantagem em relação ao bocal de madeira porque com o bocal de madeira, a entrada é pequena e muito difícil de introduzir algum artefato para fazer a limpeza. Com o bocal aberto do bambu é possível realizar esta manutenção secando com uma flanela e também tirando a poeira com uma escova. Então basicamente é essa a diferença entre o bocal de madeira e o bocal natural de bambu, não influencia a qualidade do som. Enquanto o bocal de madeira possui uma qualidade estética e ergonômica, o bocal natural de bambu possui uma qualidade de manutenção do instrumento.

Qual flauta escolher de 5 ou 6 furos?

Para introduzir a flauta nativa americana na cultura musical do ocidente a algumas décadas, fez-se necessário padronizar sua escala musical, a escala escolhida foi a pentatônica menor e para produzi-la precisamos apenas de 5 furos, isso é tudo que precisamos para tocar uma flauta nativa com inúmeras possibilidades. Alguns anos após, alguns artesãos começaram a produzir a flauta com 6 furos, adicionaram um furo coringa para ampliar as possibilidades de fazer outros modos de escala pentatônica. O tom deste novo furo corresponde ao 6º maior que é um tom fora da escala e destoa da mesma, porém com dedilhado cruzado podemos fazer o 6º menor e a partir deste ponto modular uma segunda escala. Nossa opinião é manter a simplicidade da escala original com 5 furos, para não confundir principalmente os iniciantes que sem saber acabam por considerar este furo no movimentar da escala sentindo um estranhamento imediato porque o 6º maior irá criar uma dissonância no corpo da escala que é originalmente menor, por este motivo é um furo que fica fechado na maioria das vezes que tocamos a flauta. Se em todo caso será necessário usar dedilhados cruzados para aproveitar o recurso deste furo, então saiba que na flauta de 5 furos podemos fazer todas as notas da flauta de 6 furos ao aprendermos os dedilhados cruzados da flauta de 5 furos. De todo modo, as flautas de 6 furos ganharam espaço e atualmente a maioria dos luthiers produzem com 6 furos. Por isso oferecemos esta opção em alguns modelos.

O que é alinhamento do último furo?

A escolha do alinhamento do último furo irá depender do tamanho da flauta e de qual mão é usada abaixo para fechar os três últimos furos. A grande maioria das pessoas tocam com a mão direita abaixo, neste caso, para flautas grandes, recomendamos que o último furo seja alinhado a direita, como forma de facilitar a digitação desta última nota na flauta sem causar incômodo ao dedo anelar da mão direita, deste modo é mais fácil de fechar os furos. Mas se você utiliza a mão esquerda no pé da flauta (parte inferior) então o último furo deve ser deslocado à esquerda.

Para flautas pequenas como E Alto, D Alto, C Alto B e A, não há necessidade de que o último furo seja a direita, neste caso pode ser o alinhamento padrão no centro, pois como a flauta possui um tamanho pequeno não haverá dificuldades em tampar os furos da flauta. Lembrando que para saber o comprimento aproximado de cada flauta de acordo com a afinação basta consultar nossa Tabela de Medidas. Já as flautas médias como G#, G, F#, F, E, D e C, para pessoas que possuem braços, mãos ou dedos pequenos, nós recomendamos solicitar o último furo a direita ou esquerda, assim fica garantido que não haverá dificuldades em realizar o dedilhado na flauta. Para flautas baixo de grande comprimento e 6 furos, nós deslocamos os furos do dedo anelar da mão esquerda e do dedo anelar da mão direita, então é muito importante sabermos de antemão qual a mão é superior (usada próximo à face) e qual a mão inferior (usada próximo ao pé da flauta).

A flauta está pronta ou será produzida?

Nossas flautas são criadas por encomenda. Nós queremos fazer a sua flauta! Quando você manifesta a intenção de adquirir uma de nossas flautas, sua energia irá influenciar diretamente a flauta que irá nascer unicamente para você ou para a pessoa que irá receber. Nós oferecemos muitas opções e modelos, o que torna impossível ter disponível para envio imediato todas as afinações e modelos, pois nossa criação é 100% artesanal, todas as flautas são testadas uma a uma e você ainda pode fazer customizações.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre nossas flautas, conheça nossos modelos